Papa adverte sobre os interesses obscuros da ajuda externa

07 Set 2019 0 comment  

ppapaO Papa Francisco chama atenção ao povo moçambicano, particularmente aos actores políticos, sobre a ajuda externa que, por vezes, vem dissimulada em outros interesses além dos declarados oficialmente.

O Sumo Pontífice deixou a advertência hoje na Santa Missa celebrada no Estádio Nacional do Zimpeto, que contou com a participação de mais de 40 mil pessoas, e que marcou o fim da visita apostólica de três dias a Moçambique.

“Por vezes parece que aqueles que se aproximam com o suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. E é triste quando isto se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper; é muito perigoso aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa”, vincou o Santo Padre.

Por isso, manifestou o seu desejo de que todas as decisões tomadas por políticos nacionais sejam iluminadas e arbitradas por Deus, para que sejam as mais certas e justas, permitindo o país trilhar no caminho da esperança.

“Se Jesus for o árbitro entre as emoções em conflito do nosso coração, entre as decisões complexas do nosso país, então Moçambique tem garantido um futuro de esperança”, disse.

O Papa Francisco considera um paradoxo algumas das suas constatações em Moçambique, pois o país possui tantos recursos naturais e culturais que poderiam servir de um verdadeiro motor para catapultar o desenvolvimento económico e social mas, infelizmente, o país contínua mergulhado na pobreza e com o povo a viver em condições extremas.

“É um paradoxo que Moçambique, um território cheio de riquezas naturais e culturais, mas com uma quantidade enorme da sua população abaixo do nível de pobreza”, disse.

Na sua homilia o Santo Padre também deixou uma mensagem de paz e esperança para Moçambique, afirmando ser difícil falar de reconciliação quando ainda estão vivas as feridas causadas por vários anos de discórdia, razão pela qual apela a muita tolerância e perdão no seio no seio da família moçambicana.

“Jesus Cristo convida a amar e a fazer o bem. Isso vai além de simplesmente ignorar nosso inimigo, pois implica também abençoar e rezar por ele. Alta é a medida que o mestre nos propõe”, afirmou.

O Santo Padre, antes de se despedir da multidão que acorreu em massa a missa do Zimpeto, mesmo debaixo da chuva e frio que, hoje, se fez sentir na capital moçambicana, agradeceu a presença dos fiéis no local, mesmo os que não conseguiram se deslocar ao Estádio, rezando a Deus para que guarde neles a esperança e amor.

“Irmãs e irmãos moçambicanos sei do sacrifício que fizeram para participar nas celebrações e encontros e também que se molharam todos. Aprecio-o e agradeço-o de coração. Queridos irmãos, senti o vosso apoio. Por favor, guardai a esperança e não deixeis que vos roubem”, anotou.

A Santa Missa do Zimpeto constituiu o momento mais alto da visita do Papa em Moçambique que terminou hoje. A sua próxima escala é a capital de Madagáscar, Antananarivo para uma visita de dois dias.
(AIM)
(Paulino Checo) /sg

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